6 de julho de 2008

Se beber não dirija

Muito do motivo de ter parado de dirigir é o fato de que o álcool em mim é quase uma segunda personalidade. Meu ser bêbado canta pessimamente mal, dança sozinho na frente do espelho, capota na cama esquecendo o rádio ligado e só acorda com a polícia batendo a porta pois o vizinho achou que estivesse passando mal.

Esse ser que me coabita sai demanhã pra comprar uma revista e acorda ao final da tarde sem lembrar de como foi parar ali se agora mesmo estava lendo a tal, sentada na mesa do bar tomando uma cerveja gelada, esperando o almoço que iria levar para casa. Porém uma vaga lembrança vêm em sua mente quando levanta e se depara com um pé de pimenteira. Lembra-se então das frutas-do-conde que ganhou e conclui que vieram juntos no mesmo pacote que seu mais novo amigo lhe deu.

Por isso parei de dirigir. E por isso sou a favor da lei. Pode não fazer mal para alguns mas para esse ser não existe a palavra moderadamente. Vamos convivendo com o bombom de licor. Melhor acordar de ressaca e com uma foda mal dada, mas com a única preocupação de lavar a cara e escovar os dentes para tirar o bafo.

Disso tudo só uma coisa anda me revirando os pensamentos. Não gosto de entrar em um motel de táxi ou a pé, mas gosto de sexo com vinho e não gosto de beber sozinha. Chego a conclusão de que as pessoas vão ter que conviver mais tempo depois da transa. Só me angustia a idéia de ter que escolher melhor as minhas companhias.

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